A Roda da Vida Não Para de Girar: A Arte de Permanecer em Meio à Mudança
- Cibele Nardi

- há 4 dias
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A única constante da vida é a mudança. Não podemos parar a roda que gira — mas podemos escolher como permanecemos de pé dentro dela.
Vivemos tentando alcançar estabilidade: no trabalho, nas relações, na rotina. Buscamos o conforto do previsível, o alívio do controle, a segurança das garantias. Mas a roda da vida — essa metáfora antiga e sempre atual — nos lembra de uma verdade simples e profunda:
A única constância da vida é a mudança.
Essa ideia, que atravessa séculos de filosofia, é tanto dura quanto libertadora.
A Natureza Impermanente da Vida
Esperar estabilidade total é, de certa forma, ignorar a natureza do próprio viver. Nada permanece igual. Bens, cargos, honrarias — tudo é passageiro. Isso não é pessimismo. É um convite à lucidez.
A roda gira, os ciclos se transformam, e resistir à mudança apenas nos prende ao sofrimento. A sabedoria está em compreender que não temos controle sobre o movimento, mas temos escolha sobre a forma como permanecemos.
O Que Fica Quando Tudo Muda
Se tudo é transitório, o que realmente permanece? A filosofia antiga — dos estoicos ao budismo — responde: a virtude interior.
Quando cultivamos serenidade, propósito e autoconhecimento, criamos um centro estável dentro de nós. E esse centro não se quebra com o giro da roda.
A impermanência nos ensina o valor do que é essencial — e nos convida a cuidar daquilo que não se compra, nem se perde: o caráter, a sabedoria e o bem-estar genuíno.
O Paradoxo do Controle
Quanto mais tentamos controlar tudo, mais percebemos o quanto a vida escapa ao nosso controle. Planos mudam, caminhos desviam, circunstâncias surpreendem. E ainda assim, o impulso de planejar e garantir não é errado — ele é humano.
O que precisamos é ajustar a expectativa: Não é possível evitar as mudanças, mas é possível navegá-las com consciência.
A verdadeira estabilidade não está fora, e sim dentro. Está na capacidade de encontrar equilíbrio no meio do movimento.
Permanecer de Pé Dentro da Roda
Se não podemos parar a roda, podemos aprender a permanecer de pé dentro dela. Podemos respirar fundo, observar os giros, e entender que cada volta traz algo novo — uma perda, um aprendizado, uma possibilidade.
A vida é impermanente, e é justamente isso que a torna preciosa. Porque se tudo muda, também é certo que a dor muda, o medo muda, e o que hoje parece fixo pode se transformar amanhã.
A impermanência, quando acolhida, vira fonte de leveza.
Não controlamos o ritmo da roda — mas podemos escolher a graça com que giramos junto dela.

























